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Virada de Chave

  • Foto do escritor: Duna Francesa
    Duna Francesa
  • 27 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Com meus 20 e poucos anos vivenciei importantes etapas da sociedade em um contexto tecnológico. Nasci no final do uso das fitas cassetes, passei pela etapa do CD, pendrive, a era do streaming e cheguei até o surgimento da inteligência artificial.


Um fator surpreendente nessa linha de evolução é o surgimento e o aumento do uso das redes sociais. No início dos anos 2000, pouco se vivia dentro da internet. Os relacionamentos se iniciavam no presencial, a vida era vivida ao invés de compartilhada e a rotina não era um palco a ser observado por uma tela.


Com o tempo, tornou-se normal postar fotos de prato de comidas, encontros românticos, no espelho de shoppings, além de storys que mostram uma vida saudável e ativa, com idas a academia, refeições fitness e corridas matinais. Desde essa virada, e digo como quem vivenciou essa mudança, as pessoas passaram a se tornar mais do mesmo. Não é difícil ver influenciadores com rostos extremamente simétricos e similares após várias harmonizações ou que compartilham do mesmo estilo de vida e personalidade digital.


Até pouco tempo atrás, eu achava que todas as pessoas tinham magicamente adquirido gosto pelas mesmas coisas. Se eu via uma mesa da qual gostava, magicamente surgiam vídeos de diversas pessoas com uma idêntica. Se agradava de um estilo de roupa, aparentemente todas as pessoas agradavam simultaneamente. Entretanto, a internet hoje é composta por bolhas. O que aparece para mim, provavelmente não aparece para você. Ou seja, se cria uma falsa percepção de que todas as pessoas estão inseridas no mesmo círculo. Apesar dos exemplos que dei, é fácil levar isso para um ponto mais extremo e delicado, como o momento político vivido no Brasil nos últimos anos. Uma pessoa de direita só recebe conteúdos de pessoas da direita e o mesmo ocorre com as pessoas da esquerda. Com esse movimento, o algoritmo nos condiciona a nunca ter contato com opiniões contrárias, e passamos a acreditar que a maioria das pessoas pensa da mesma forma. Exemplo ainda mais concreto foi percebido nas últimas eleições. Ambos os lados tinham certeza de que a maioria do país tinha escolhido o candidato com a qual simpatizava. E tratando disso, em um cenário onde apenas um levaria o cargo, muitas pessoas estranharam os resultados.


Esse novo contexto, pelo menos no Brasil, facilita a disseminação de diversos ideais. O vídeo que viralizou recentemente do youtuber Felca, demonstra que é fácil condicionar as redes para mostrar apenas aquilo que queremos ver, apenas aquilo com a qual compactuamos. Mas o quão prejudicial é nunca ter contato com ideias diversas?.


Vamos colocar isso de lado por um instante e pensar em um debate justo. Um dos princípios básico para defender um ponto de vista é justamente conhecer o ponto de vista contrário, pois você não consegue discordar daquilo que não conhece. O que a internet faz vai em total contrassenso a essa ideia, pois ela cria bolhas e direciona as pessoas para os tópicos de maior interesse, fazendo com que acreditem que suas ideias são as da maioria ou da totalidade das pessoas. Não é mais possível ter um debate.


Bem, após essa exposição chegamos de fato ao título: virada de chave.


O que tenho percebido é que esse comportamento de utilização desenfreada das redes sociais tem esfriado, desacelerado. Vejo muitas pessoas, que claramente ainda não são a maioria, se afastando desse meio. Um clamor por uma vida mais simples e tranquila. Muitos pais dessa nova geração não sentem a necessidade de deixar os filhos terem acesso a eletrônicos tão cedo e ainda se mudam para regiões afastadas dos meios urbanos.


O que estamos vivenciando é a evolução do pensamento social. Talvez estejamos sentindo física e emocionalmente os efeitos da exposição excessiva. Se esse for o caso, creio que a sociedade caminhará para um novo paradigma e, com certeza, com horizontes mais vastos.


Bem, talvez essa minha impressão tenha sido criada por consumir conteúdos de uma bolha onde as pessoas demonstram tal interesse e, talvez, na realidade, estejamos só nos afundando mais e mais atrás de endorfina.


Obrigada por lerem até aqui.




 
 
 

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